segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Módulo 2 - Vídeo-aula 1: O juízo moral na criança




"Pesquisando crianças de cinco a doze anos, PIAGET descobriu que a gênese do juízo moral infantil passa por duas grandes fases. Na primeira, o universo da moralidade confunde-se com o universo físico: as normas morais são entendidas como leis heterônomas, provenientes da ordem das coisas, e por isso intocáveis, não-modificáveis, sagradas. A essa concepção das normas corresponde um nível rudimentar de compreensão destas: os imperativos são interpretados ao pé da letra, e não no seu espírito... Na fase posterior, as normas passam a ser entendidas como normas sociais cujo objetivo é regular as relações entre os homens. Assim, em torno de dez, onze anos, a criança passa a conceber a si mesma como possível agente no universo moral, capaz de, mediante relações de reciprocidade com outrem, estabelecer e defender novas regras."
"Na conceituação piagetiana, a criança passa da heteronomia – onde o bem é entendido como obediência a um dever preestabelecido – à autonomia moral – onde o bem é agora concebido como eqüidade e acordo racional mútuo das consciências."

"Mas a originalidade do pensamento piagetiano é a de ter chamado a atenção sobre um outro fator, obrigatoriamente presente em toda sociedade. Refiro-me ao tipo de relação interpessoal, que pode ser a coerção ou a cooperação. Não se trata apenas, portanto, de saber o que existe em determinada cultura, mas também de verificar o tipo de relação interpessoal por meio do qual o patrimônio cultural é transmitido."

"Ora, se as relações de coerção e de cooperação têm efeitos diversos sobre o desenvolvimento do indivíduo, se a cooperação é condição necessária à autonomia intelectual, verifica-se que PIAGET integrou a dimensão ética à sua teoria."

Extraído do site: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/dea_a.php?t=005 em 11/10/10.

Nenhum comentário:

Postar um comentário