A globalização é um pouco mais antiga do que ouvimos falar. Alguns autores dizem que ela surgiu a partir do século 16 e 17, mas vamos falar dos últimos 50 anos. Um dos seus efeitos principais podem ser sentido no nosso cotidiano. Por exemplo, até cerca de 30 anos atrás, não tínhamos o self-service nos restaurantes; os serviços em restaurante era a La carte ou prato do dia. Hoje você pode montar seu prato. Outro exemplo é uma música brasileira que ouvimos no rádio mas ela foi gravada em um estúdio americano. A todo momento somos atingidos por artefatos culturais produzidos em outros países. Isso se intensificou nos últimos 30 anos devido aos meios de comunicação.
O que nos importa nisso tudo é o fato de estarmos nos relacionando com o outro o tempo inteiro.
Outra característica recente da sociedade é o contexto democrático que vivemos. Temos também pela primeira vez na história a participação de movimentos sociais que outrora não existiam e de grupos que até então estavam afastados como as mulheres, os analfabetos, etc. Vivemos numa sociedade que veio lentamente se democratizando.
Tudo isso vem a culminar com uma característica nova: a sala de aula está num contexto multicultural.
Devido a tudo isso, a escola se firma com outros objetivos. Se até pouco tempo atrás a escola era aquela instituição que projetava o indivíduo na sociedade, era um instrumento para a ascensão social, que fazia com que o indivíduo saísse do estágio de não saber para o estágio de saber e com isso se inseria de maneira diferente na sociedade, hoje a noção de escola se transformou. A escola é aquela experiência que se o aluno tiver condições de realizá-la a contento, vai poder se inserir na sociedade de um modo diferente. A escola é, portanto, a instituição que vai garantir ao aluno uma experiência social, uma circulação na esfera pública de maneira mais qualificada.
Nisso, deve se basear o currículo da escola. Todas as regras existentes na escola, as metodologias de se ensinar, faz parte do currículo.
As teorias curriculares são divididas em três grandes grupos: teorias tradicionais, teorias críticas e teorias pós-críticas.
As teorias tradicionais objetivam recortar um pedaço da cultura considerada válida por parte de alguns grupos bem restritos, e fazer com que essa cultura chegue até os alunos. Umas das grandes marcas das teorias tradicionais no currículo é que elas não colocam em xeque o valor desses conhecimentos.
Aproximadamente nos anos 60, 70 e 80 essa maneira de entender o currículo começou a ser questionada por aqueles que defendiam uma sociedade organizada de outra maneira. Alguns autores defendiam a ideia de que a experiência escolar era uma das maneiras de manter a sociedade dividida em classes sociais. Esses autores ficaram conhecidos como produtores das teorias crítico-construtivistas. A partir daí conhecemos as teorias que colocavam em xeque os conhecimentos que iam para dentro do currículo.
Nos anos 90, graças a um conjunto imenso de movimentos sociais, assistimos ao surgimento das teorias pós-críticas da educação e que acabaram interferindo também na teoria curricular.
Os estudiosos do assunto chegaram a conclusão que não é somente as questões de classe interferem no currículo, mas há outros fatores como etnia, comunidade, etc.
Como estamos tentando relacionar as transformações educacionais com as transformações da sociedade multicultural isso nos leva a pensar nas noções de cultura que atravessam a sociedade moderna.
Formas de olhar antropologicamente a cultura:
· Evolucionista (Tylor) - você sai de um estágio de bárbaro até o civilizado;
· Relativista (Boas) – ideia de que “vamos respeitar aquela pessoa porque isso faz parte da cultura dela”.
· Funcionalista (Malinowiski) – Cada grupo cultural atribuía determinadas funções em razão do sentido daquele artefato tinha naquele contexto.
· Sistêmica (Durkheim) – Cada sistema produz uma lógica de funcionamento e os membros desses sistemas vão se comportar de determinadas maneiras.
· Interpretativa (Geertz) – Teia de significados. Cada grupo cultural atribui significados específicos as coisas do mundo.
Campos de lutas (Hall)
· Incorporação
· Distorção
· Resistência
· Negociação
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