quarta-feira, 27 de abril de 2011

MÓDULO III - Vídeo-aula 18: A escola e as instituições culturais


As instituições culturais reúnem objetos de arte interessantes às aprendizagens escolares. Museus e casas de cultura podem ser visitados física e virtualmente.

Os objetos de arte expressam conteúdos de diversas áreas do conhecimento escolar e favorecem seu ensino de modo vivo e instigante tanto da arte universal como das culturas importantes de cada região.

Usar as tecnologias da comunicação e da informação envolve os estudantes nas atividades. A cultura brasileira deve fazer pauta no nosso currículo.

Desse modo, a visita a institutos virtuais podem proporcionar aos alunos novos conceitos e relações com sua vida cotidiana, e entender o significado da arte como forma de registro da história.

MÓDULO III - Vídeo-aula 17: A cidade educadora

Pode a cidade educar?
A julgar pelos que defendem o conceito e a prática da “cidade educadora”, a resposta é sim. [...] A cidade dispõe de inúmeras possibilidades educadoras. A vivência na cidade se constitui num espaço cultural de aprendizagem permanente por si só. Mas a cidade pode ser “intencionalmente” educadora. Uma cidade pode ser considerada como uma cidade que educa, quando, além de suas funções tradicionais – econômica, social, política e de prestação de serviços – ela exerce uma nova função cujo objetivo é a formação para e pela cidadania. Para uma cidade ser considerada educadora ela precisa promover e desenvolver o protagonismo de todos e de todas – crianças, jovens, adultos, idosos – na busca de um novo direito, o direito à cidade educadora.
[...] Podemos falar em cidade que educa quando ela busca instaurar, com todas as suas energias, a cidadania plena, ativa, quando ela estabelece canais permanentes de participação, incentiva a organização das comumidades para que elas tomem em suas mãos, de forma organizada, o controle social da cidade. É a sociedade controlando o Estado e o Mercado. A cidade educadora persegue a utopia das cidades justas, produtivas, democráticas e sustentáveis que são aquelas que conseguem “romper com o controle político das elites locais e com as formas burocráticas, corruptas e clientelistas de governar” e estabelecem uma nova esfera pública de decisão não-estatal, como o “orçamento participativo” e a “constituinte escolar”, que já se tornaram emblemáticos nas gestões populares. Já saímos do puro terreno das propostas nesse campo e novas experiências vêm surgindo, em diferentes partes do país, levadas a cabo por diferentes partidos políticos, que criam novas relações, novas formas de gestão, novos espaços de negociação e estimulam a reapropriação das cidades por seus cidadãos. E não há segredo nisso. Basta vontade política, apoiada numa ética que condene o segredo burocrático e estabeleça a transparência, que incorpore o conflito com práticas de negociação e que publicize a informação.
Em primeiro lugar precisamos aprender da cidade. Paulo Freire dizia que o primeiro livro de leitura é o mundo. Para aprender da cidade precisamos ler o mundo. Em geral nós ignoramos a cidade, estreitamos muito nosso olhar e não percebemos, e algumas vezes até a escondemos, damos as costas para não ver certas coisas que acontecem nela. Não queremos olhar certas coisas da cidade para não nos comprometer com elas, pois o olhar nos compromete. Vejamos nosso comportamento nos semáforos quando somos abordados por meninos e meninas de rua. Nossa defesa e não olhar nos olhos deles e delas. Na cidade buscamos tornar muitos seres invisíveis; até em nossas próprias casas quando aos visitantes apresentamos toda a casa e não apresentamos a empregada ou a faxineira que aí trabalham. Passamos por elas como se fossem seres transparentes.
Precisamos de uma pedagogia da cidade para nos ensinar a olhar, a descobrir a cidade, para poder aprender com ela, dela, aprender a conviver com ela. A cidade é o espaço das diferenças. A diferença não é uma deficiência. É uma riqueza. Existe uma prática da ocultação das diferenças, também decorrente do medo de ser tocado por elas, sejam as diferenças sexuais, sejam as diferenças culturais etc. Em geral, a nossa pedagogia dirige-se a um aluno médio, que é uma abstração. O nosso aluno real, contudo, o aluno concreto, é único. Cada um deles é diferente e precisa ser tratado em sua individualidade, em sua subjetividade. Uma pedagogia da cidade serve também para a escola construir o projeto político-pedagógico de uma “educação na cidade”.

Moacir Gadotti

MÓDULO III - Vídeo-aula 16:Trajetórias escolares de alunos com dificuldade e a EJA

O objetivo desta aula é apresentar duas pesquisas que evidenciam e discutem as múltiplas e conturbadas trajetórias escolares de alunos com deficiência, que culminam com a busca pela Educação de Jovens e Adultos – EJA.

Essas pesquisas são: Mapeamento de dez anos, de alunos com deficiência na Educação de Jovens e Adultos (TINÓS, L. M. S.; AMORIM, K. S., 2008); e Os caminhos dos alunos com deficiências à EJA: conhecendo e entendo algumas trajetórias escolares (TINÓS, L. M., 2010).

Os alunos do EJA são sujeitos compostos pela e na diversidade. São de camadas socialmente mais empobrecidas e marginalizadas: negros, idosos, trabalhadores, populações rurais, alunos com NEE, etc. Está havendo um aumento de alunos com deficiência dentro dessa modalidade de ensino.

Sobre os alunos do EJA que possuem deficiência, 43% possuem deficiência mental, e 18% deficiência auditiva. Nesta pesquisa, também foi constatado a dificuldade em definir as deficiências.

Esses alunos com NEE que estão no EJA, 51% vieram de escola especial e 26% vinham de escolas públicas.

A segunda pesquisa traz a trajetória escolar de Paula, que na época da pesquisa tinha 30 anos. Possuía uma deficiência física (diagnóstico de distonia generalizada). Cursava a 6ª série do segundo segmento da EJA, em escola pública municipal.

Dos 4 aos 10 anos, Paula estudou em uma escola especial privada. Nesta escola, Paula foi alfabetizada. Dos 11 aos 12 anos, ela estudou em outra escola especial privada.

 Dos 13 aos 24 anos, Paula estudou em uma escola especial municipal, pois seus pais não podiam mais pagar uma escola particular. Nesta escola, ouve atitudes controversas. Paula disse que a escolarização não era prioridade, ela foi colocada em oficinas, enquanto ela queria estar em salas de aula, disse que desaprendeu um monte de coisa, e relatou diversas situações que denotam descriminação.

No último ano em que esteve na escola especial municipal, Paula freqüentou no contra-turno uma escola especial filantrópica.

Aos 26 anos, Paula tem a primeira experiência no EJA. A escola era próxima da casa de Paula, por isso ela não conseguiu transporte escolar. Para levá-la à escola, o seu pai também se matriculou na escola. Eles ficavam dependentes de vários fatores, como, por exemplo, se estava chovendo, etc. Esses fatores dificultavam a ida à escola, fazendo-a desistir mesmo gostando a experiência de estudar.

Com 27 anos, Paula foi matriculada em uma escola regular na segunda série do Ensino Fundamental I. Ela estudava em uma sala com crianças de 7 a 8 anos.

Paula volta a uma sala de EJA com 28 anos, no 1º segmento. Este ano foi determinante na vida escolar dela, pois ela consegue terminar o ensino de 4ª série. A professora foi importante nesta situação, porque ela foi perguntar como seria o trabalho delas juntas, e Paula deu dicas de como seria fácil o trabalho. Paula continuou nesta escola e aos 30 anos ela estava no segundo segmento.

Analisando esta trajetória, podemos constatar que, tratando-se da educação especial, as escolas não possuem uma preocupação com o tempo e certificação. Já no ensino regular, há uma falta de preocupação em avaliar pedagogicamente para saber o que ela já tinha adquirido na sua trajetória escolar; sem contar que Paula ficou na 2ª série já sabendo ler com crianças de idade muito diferente da dela. Em relação a EJA, houve uma aceitação e encaixe no perfil. Mas ainda houve dificuldades em lidar com alguns professores; outro aspecto importante é que Paula obterá uma certificação neste segmento.

Apesar do sucesso de Paula na EJA, apenas 0,42% dos alunos com deficiências pesquisados de 2004 a 2007 foram certificados. Muitos alunos com NEE não conseguem avançar nos estudos e acabam desistindo.

Nós, profissionais da educação, temos que tornar visíveis pessoas que historicamente não enxergamos, não falamos, não acolhemos e não acreditamos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

MÓDULO III - Vídeo-aula 15: Dados da educação especial do país

A política de inclusão nas classes comuns no ensino regular vem crescendo muito. Em 1998, o número de matriculas em salas especiais era muito superior que as matrículas em salas comuns. Já em 2008, esse quadro se inverteu: o número de crianças especiais matriculadas em salas comuns ultrapassou o número de salas especiais.

Foi realizada uma pesquisa no interior paulista para analisar esse quadro após criação da LDB de 1996. A pesquisa levantou dados tanto da rede pública (salas regulares e especiais) quanto as da rede particular (salas regulares e especiais, principalmente de instituições filantrópicas).

Foi constatado que há uma dificuldade no registro dos dados dessas crianças, a não ser nas instituições filantrópicas, que possuem uma preocupação maior nesse sentido. Existem inclusive escolas que possuem nenhum registro. Isso tem uma implicação fundamental: há uma limitação em formar um diagnóstico da situação e elaborar melhores estratégias.

Muitas crianças não possuem diagnóstico, são apenas ditas deficientes. Não dá possibilidade de retorno para se conseguir recursos, tecnologias, etc. Inclusive, também não costuma-se detalhar o grau de deficiência. Em muitos casos, são os professores da própria escola que ousam em dar o diagnóstico.

Um grande problema que foi denunciado pelos docentes foi que o diagnóstico muitas vezes não auxilia em nada, o professor apenas usa esse diagnóstico para argumentar de sua falta de responsabilidade sobre o aluno, dizendo que não tem preparo para lidar com tal situação.

Existe uma variação de incidência nas diferentes redes de ensino, e isso se deve fundamentalmente a existência ou não de suporte. Numa determinada rede podemos encontrar uma incidência maior de deficiente auditivos, por exemplo, por essa rede apresentar uma variedade maior e melhor de recursos.

Outro dado que chamou atenção é a incidência maior de meninos (60%) no perfil de aluno com necessidades educativas especiais. Isso trás uma preocupação quanto as mulheres: será que elas estão sendo vítimas de uma dupla exclusão? E também levanta o questionamento: será que os “meninos impossíveis” estão todos sendo considerados crianças deficientes?

O tempo de permanência dessas crianças em escola pública é, em média, de 1 a 4 anos. Já nas escolas especiais, salas de recursos e nas salas especiais eles podem ficar até 10 anos.

A ascensão dessas crianças nas escolas é descontínua, com interrupção intercalada entre as séries. A maior parte das crianças (75%) estão na Ed. Infantil ou no Ensino Fundamental. De 1 a 15% estão no Ensino Médio.

Muitas dessas crianças não chegam a completar o Ensino Fundamental, devido ao “estrangulamento” causado na passagem Do EF I ao EF II, onde ele passa a ter vários professores. No EM o estrangulamento é maior ainda.

Uma solução estudada é uma parceria entre a escola especial com o ensino regular. Essa parceria ainda está muito baixa. A incidência é maior no EJA (30,5%) e na Educação Precoce (28%). Porém, nas escolas especiais, não existem certificado, que é muito importante para a inserção no mercado de trabalho.

Pode-se constatar através dessa pesquisa que muitos jovens deficientes estão fora da escola. O atendimento ainda está muito precário. É necessário investir nos registros. É importante traçar diagnósticos para definir estratégias.


sábado, 23 de abril de 2011

MÓDULO III - Vídeo-aula 14: Processos de Aprendizagem

A Educação é um processo que possibilita uma articulação das capacidades de agir intelectualmente e pensar produtivamente; de estabelecer vínculos entre trabalho e educação e para a contextualização cada vez maior do conhecimento, já que esta é condição essencial da eficácia do funcionamento cognitivo. Neste sentido, a missão do ensino é transmitir não o mero saber, mas uma cultura que permita compreender a condição do ser humano e o ajude a viver e que favoreça, ao mesmo tempo, um modo de pensar aberto e livre. Neste contexto, o ensino e aprendizagem são processos complementares, mediados pelo uso da linguagem. O processo de aprender é bastante complexo, envolve vários fatores: variáveis cognitivas, afetivas, sociais, econômicas e até políticas. O ensinar envolve também, inúmeras variáveis e pode ser considerado como aberto a experiências dialógicas, assim, a aprendizagem é a construção permanente do conhecimento. A aprendizagem envolve uma integração de fatores contextuais e internos do aluno que podem tanto favorecer como afetar de maneira negativa o processo de aprender. A atenção é inata ao indivíduo, mas se relaciona com a mediação simbólica, esta divide-se em voluntária e involuntária. A atenão voluntária é aquela na qual o indivíduo direciona conscientemente para que o que considera essencial ao seu desenvolvimento; e a atenção é involuntária porque o individuo não tem domínio, nem consciência sobre a importância daquilo que lhe chama a atenção. Desta forma um processo interpessoal é transformado num processo intrapessoal, onde as funções no desenvolvimento do indivíduo aparecem duas vezes no ciclo do desenvolvimento humano: primeiro entre as pessoas e, depois, no interior do indivíduo. A capacidade de aprender está presente em todos os indivíduos sendo que para alguns ocorre uma relativa dificuldade de assimilação e manutenção de seu conhecimento, ligando o processo de absorção daquilo que se quer aprender a fatores muito mais relevantes do que o simples fato de necessitar fixar aquilo que é ensinado. Assim entende-se que o processo de aprendizagem é desencadeado a partir da motivação, onde o mesmo se dá no interior do indivíduo, estando, entretanto, intimamente ligado às relações de troca que o mesmo estabelece com o meio, principalmente, seus professores e colegas. Nas situações escolares, o interesse é indispensável para que o aluno tenha motivos de ação no sentido de apropriar-se do conhecimento. Entende-se assim, que a dificuldade de aprendizagem, quando presente no período inicial da escolarização pode favorecer a vulnerabilidade ao desenvolvimento infantil, sendo necessário a elaboração de programas de suporte visando o enfrentamento de tais situações consideradas críticas para o desenvolvimento. O professor hoje, não é mais o detentor do conhecimento, aquele que sabe tudo e seus alunos são meros receptores do conhecimento. Com as várias informações que estão ao alcance de todos principalmente na Internet, o trabalho isolado do professor já não satisfaz mais. As mudanças de postura, a quebra de paradigmas faz com que o trabalho do professor não seja mais isolado; assim o trabalho em conjunto, cooperativo vem de encontro com as necessidades dos alunos na busca da construção do conhecimento e o professor entra como mediador, orientador deste conhecimento, aquele que mostra os caminhos para seus alunos em conjunto buscarem de forma interativa o saber e a construção de novos saberes. Neste ambiente o professor continuará sendo professor, mas um professor mediador e orientador e não mais o detentor do conhecimento pois o trabalho cooperativo ele aprenderá com seus alunos. Então, cabe aos educadores proporcionar situações de interação tais, que despertem no educando motivação para interação com o objeto do conhecimento, com seus colegas e com os próprios professores; pois, embora a aprendizagem ocorra na intimidade do indivíduo, o processo de construção do conhecimento dá-se na diversidade e na qualidade das suas interações. A educação seja ela no âmbito escolar ou em qualquer ambiente de aprendizagem, tem buscado aprimorar seus conceitos e metodologias no sentido de propiciar ao integrante do processo educacional a assimilação adequada daquilo que lhe é ensinado, fato que tem sido alvo de constantes discussões e reflexões entre agentes educacionais e teóricos do assunto para que se consiga organizar o processo de aprendizagem de forma mais objetiva para a aquisição do conhecimento pelo indivíduo envolvido nesse processo. O ato de educar é contribuir para que docentes e alunos transformem suas vidas em processos constantes de aprendizagem. É contribuir com os alunos na construção da sua identidade, da sua trajetória pessoal e profissional, no desenvolvimento das habilidades e competências de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam encontrar seu espaço social, político, econômico, cultural e educacional. A generalidade do ensino escolar ainda se situa muito na transmissão da informação. Pouca atenção é prestada ao ensino das competências de resolução de problemas. Embora professores reconheçam a importância de se desenvolver a compreensão e o raciocínio dos alunos, na realidade esses aspectos não parecem fazer parte do conjunto de objetivos principais a serem atingidos pela educação, já que na prática a escola não tem valorizado o pensar e o transformar. Pouco tem sido feito no sentido de desenvolver no aluno a capacidade de aprender a aprender. É fundamental, pois, que se abram espaços para o "aprender a aprender" e o "aprender a pensar". É sem dúvida a possibilidade de discriminação inteligente da informação que permite o desenvolvimento de uma consciência crítica.
Fonte: http://pt.shvoong.com/social-sciences/education/1780139-processo-aprendizagem/#ixzz1KNKDkEj7 acesso em 23/04/11.

MÓDULO III - Vídeo-aula 13: A construção do fracasso escolar

No Brasil é evidente o fracasso escolar. Todos os meios de avaliação do nível de aprendizado nos demonstram isso. O PISA coloca o Brasil na posição 53 de 65 países estudados.

As explicações dadas hoje para  o fracasso escolar são reducionistas. Ou se culpa o aluno e a família, ou se culpa a escola e a sociedade.

Podemos analisar o fracasso escolar diante das relações:

·         Aluno e mundo: existe uma oposição dos valores entre nossa sociedade (sociedade do capitalismo) e o conhecimento. Qual é a razão para aprender se o que vale mesmo é o dinheiro? Todos esses valores passam pela mentalidade do aluno. O primeiro desafio do professor no enfrentamento do fracasso escolar é o de resgatar o valor do conhecimento enquanto um bem prazeroso, enquanto um bem que merece ser adquirido.

·         Mundo e escola: O mundo mudou, a sociedade mudou, mas a escola não, continua parada no tempo. A escola se opõe a vida e a aprendizagem é fechada em si mesmo que não se vê o seu uso, a sua aplicação.

·         Escola e aluno: As práticas educativas ultrapassadas, mecanizadas, não favorecem a aprendizagem. O ensino é sem-sentido e cansa.

Outra análise que devemos fazer é a desconsideração com a diversidade cultural. O aluno, ao chegar na escola, é plural. Ele chega à escola com diferentes histórias, diferentes características, diferentes culturas, mas a escola exerce uma pressão para que ele se igualize, que todos os alunos tenham igual comportamento, anulando suas origens e sua diversidade.


MÓDULO III - Vídeo-aula 12: Como vem sendo organizada a educação especial no país

Atualmente, a educação é concebida como ação política cultural, social e pedagógica. Todos têm o direito de estarem juntos, sem discriminação, em um ambiente escolar.
Todos os alunos devem estudar, preferencialmente, na rede regular de ensino. As escolas devem se organizar para o atendimento, assegurando condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.
Deve ser garantido ao aluno com NEE:
  • Escolarização em todos os níveis de ensino;
  • Atendimento educacional especializado no contra-turno escolar;
  • Formação de professores das salas de aula e das salas de apoio para o atendimento especializado;
  • Acessibilidade arquitetônica.

MÓDULO III - Vídeo-aula 11: Legislação como instrumento de inclusão

Documentos internacionais:
  • 1944 - Declaração Universal dos Direitos Humanos, feita pela ONU.
  • 1990 - Conferência Mundial sobre Educação para Todos, também realizada pela ONU. A conferência foi em Jomtien, Tailândia.
  • 1994 - Declaração de Salamanca. Estabeleceu os princípios, políticas e práticas em educação especial.
Documentos nacionais:
  • 1988 - Constituição Federal. Nesta versão, a Constituição tem vários artigos tratando dos direitos das pessoas com necessidades especiais.
  • 1996 - LDB - foi criada após a declaração de Salamanca, incorporando seus princípios.
  • 2000 - Lei 10.098 estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
  • 2001 - Plano Nacional de Educação explicita a responsabilidade da União, dos Estados e Distrito Federal e Municípios na implementação de sistemas educacionais.
  • 2001 - Decreto n.º 3.956 que reconhece o texto da Convenção Interamericana para eliminação de todas as formas de discriminação contra a pessoa portadora de deficiência.
  • 2002 - Lei 10.436 reconhece a Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS - como meio legal de comunicação e expressão.
  • 2007 - Criação da Política Nacional de Educação Especial.


MÓDULO III - Vídeo-aula 10: A relação entre professor e aluno



Nas experiências reversíveis, ou bidirecionais, duas realidades se unem; continuam sendo diferentes, mas não estão uma fora da outra, assim como ocorre quando duas mãos se cumprimentam.

Não há relação humana autêntica se não houver experiência bidirecional.

O encontro não se faz por mera aproximação física. Na definição de López Quintás, o encontro se realiza quando entramos em jogo com uma realidade que tem algum tipo de iniciativa, promovendo-se um enriquecimento mútuo. O encontro não precisa ser necessariamente com outra pessoa, pode ser com um objeto que tem um valor sentimental.

Um objeto, quando está no nível 1, pode ser usado, descartado, manipulado, pela falta de significado que ele tem. Já com um objeto nível 2 é possível realizar o encontro, pois no lugar do objeto encontramos um âmbito, nasce uma realidade, um valor.

O professor tem que se tornar um ser ambital. Transformamos uma sala vazia numa sala de aula quando, mediante o encontro, criamos um âmbito, um espaço em que as liberdades não entram em choque, mas se tornam ocasião para o diálogo e outras experiências criativas.

MÓDULO III - Vídeo-aula 9: Modelos de Ensino

Existem duas grandes formas de entender o mundo:
  • Fixismo: o mundo é sempre igual; não existe mudanças.
  • Transformismo: o mundo está sempre mudando.
A partir desses dois pontos de vista, cria-se duas formas de concepção do ser humano:
  • Essencialismo: o ser humano nasce com uma essência; o ser humano é imutável.
  • Relacionismo: o ser humano se constitui a partir de relações com pessoas, culturas, etc.
Dentro do essencialismo existem as correntes do:
  •  iIatismo: o ser humano ao nascer já é completo. Nasce com dons e características.
  • Empirismo: o ser humano recebe tudo de fora para poder se constituir.
No relacionismo são constituídas as teorias da educação:
  • Empirismo - Nesta teoria, o homem é idealizado como uma tábula rasa, passivo, governado pelo ambiente e modificado por estímulos externos. A educação ocorre do fora para dentro, convertida pelo arranjo de condições para o conhecimento; a escola é a agência sistematizadora de uma cultura pré-estabelecida. O conhecimento é um "pacote pronto" definido a priori. O aluno não entra em discussão. O professor é tido como o representante do saber e transmissor de conhecimentos. A prática pedagógica consiste em um ensino fragmentado sob a forma de dar e tomar o conteúdo independentemente da realidade do aluno; há uma pretensão de controle do processo e homogeneidade no desempenho. Os representantes desta teoria são: Locke, Hume, Pavlov, Skinner, Mager. 
  • Inatismo: o homem é a semente que traz em si todo o potencial de ser. A medida que o sujeito vai se desenvolvendo, ele se revela. Respeita-se a natureza do indivíduo. O conhecimento é vinculado ao dom e o professor é o facilitador da aprendizagem. A prática pedagógica é não diretiva, é centrada na autodireção do aluno. Os principais representantes são o Sócrates, Rousseau, Rogers, Nell.
  • Construtivismo: os representantes principais são Piaget, Wallon, Vygotsky e Emília Ferreiro. O homem é um ser inteligente, ativo no processo de aprendizagem. A educação é um conjunto de ações significativas que possam incidir sobre o processo de desenvolvimento e aprendizagem, pelo enfretamento de situações-problema e pela interação com o sujeito cognoscente. O conhecimento é uma construção progressiva processada pela elaboração mental, a partir de experiências sociais, com o objetivo do conhecimento,  mediadas pela interação entre as pessoas. O professor deve buscar a sintonia entre os processos de ensino e aprendizagem; organizar o ensino em função do sujeito aprendiz, atuar como problematizador e desestabilizador em situações conflitivas; valer-se dos erros como oportunidades pedagógicas. A prática pedagógica deve ampliar as possibilidades de mediação e conhecimento, respeitando o tempo de aprendizagem, a diversidade de conhecimentos e a heterogeneidade cultural; aproximar a escola e a vida por meio de projetos, resolução de problemas práticas de pesquisa.
É importante ter uma clareza das várias possibilidades do ensino, não só para organizar as práticas, mas também para repensar a relação professor-aluno.

MÓDULO III - Vídeo-aula 8: Contradição de valores na escola: Entrelaços da história com a história da educação e da educação especial

Na história da educação, a preocupação com as crianças com necessidades educativas especiais demorou a aparecer. No Brasil, isso só veio ocorrer em 1854 com a criação do IBC (Instituto Benjamim Constant), no Rio de Janeiro. Era destinado ao atendimento exclusivo de crianças cegas. E em 1857 foi criado, também no Rio de Janeiro, o INSM (Instituto Nacional de Surdos-Mudos).
Quase um século depois, passa a surgir instituições especializadas (não-governamentais), como a APAE e a Pestalozzi.
Essa discussão sobre educação especial vem criando força e em 1961 cria-se a lei dos direitos dos excepcionais. Em 1973 o Estado cria o CINESP - Centro de Educação Especial.
Já em 1999, movimentos internacionais vão fazer coro com os movimentos nacionais. A Declaração de Salamanca é um marco muito importante na Educação Inclusiva. A partir de então, discuti-se a inclusão de alunos em classes regulares.
A nível internacional, a França tem dois marcos importantes: a criação do Instituto Nacional dos Surdos-Mudos (1770) e do Instituto Nacional de Jovens Cegos (1784). Houve uma discussão sobre quais instrumentos deveriam ser usados com essas crianças, e em 1824 começa-se a elaborar a escrita braile para as pessoas cegas.
Voltando ao Brasil, em nossa história educacional, a educação era muito elitista até a década de 30. Poucos frequentavam as escolas, os índices de analfabetismo eram muito grandes. A partir da constituição de 1934,  a educação torna-se gratuita e obrigatória. Essa constituição não resolveu o problema, mas começou a melhorar o acesso à educação.
Paralelo a isso, as pessoas com NEE reivindicam um lugar junto à educação. Passa-se a criar associações para a educação especial. Essa educação era diferenciada da educação regular. Em 1950 passa a ter formação para professores de alunos com NEE.
Na década de 70 começou a existir uma preocupação maior com os direitos das crianças com NEE. Em 1971, a LDB contempla esses direitos e a criação do CENESP veio afirmar isso.
A partir de então esse movimento só cresceu. Na Constituição Federal de 1988, está contemplado vários artigos que tratam dos direitos das pessoas portadoras de necessidades especiais.
A discussão persiste, mesmo em nível internacional, tanto que em 1994, é feita a Declaração de Salamanca.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

MÓDULO III - Vídeo-aula 7: Crianças e jovens com necessidades especiais na escola - dialética da inclusão/exclusão



Muitas vezes a inclusão não funciona, podendo acarretar numa verdadeira exclusão.
As dificuldades no processo de inclusão acabam "apagando" o aluno, marginalizando-os. Este, acaba sendo visto como um aluno que não pode aprender, que não avança na escolaridade.
A relação professor-aluno deve focar na reciprocidade, mutualidade e na bi-direcionalidade.
Vivemos num momento de contraste e conflito, pois a realidade brasileira afirma a importância da inclusão desses alunos, que estes tem o direito a educação, pois esta lhe dá a oportunidade de garantir um futuro melhor e de se formar como cidadão. Em contrapartida, o que está ocorrendo na escola é uma inclusão perversa, que é uma exclusão dentro do ambiente escolar.

MÓDULO III - Vídeo-aula 6: O professor e a diversidade cultural


A diversidade cultural são diferenças culturais que existem entre o ser humano. Há vários tipos, tais como: a linguagem, danças, vestuário e outras tradições como a organização da sociedade. A diversidade cultural é algo ligado à dinâmica do processo associativo.
Ensinar sobre a diversidade cultural é respeitar o direitos dos povos de manifestar, documentar e preservar a sua cultura. Assim, pode-se promover o respeito entre as diferentes etnias.
Por isso, é importante ensinar nas escolas diferentes conteúdos não pertencentes a cultura dominante, para que os alunos possam expandir seus conhecimentos e aprender sobre as características de sociedades diversas.

MÓDULO III - Vídeo-aula 5: Papel do professor na mediação cultural


O professor deve desmistificar a arte como objeto acessível a poucos e desconstruir a arte como conhecimento distante do cotidiano.
É importante promover a consciência sobre o valor da arte na sociedade e na vida dos indivíduos, assim como trabalhar com arte brasileira, para eles verem que a arte não  é algo distante, inatingível.
O aluno aprende arte com as próprias produções, com as dos pares e a partir do conhecimento da produção sócio-histórica da arte. Deste modo, o educando percebe a relação do momento histórico com as manifestações artísticas.
Os temas transversais podem ser usados como contexto social. A partir deles, torna-se possível trabalhar a arte que faz sentido na vida dos estudantes.

MÓDULO III - Vídeo-aula 4: Ética e saúde na escola: definindo alunos com necessidades especiais.

O termo: necessidade educativa especial, passou a ter força aqui no Brasil, a partir de 1994 quando ouve a Conferência  Mundial de Educação Especial, realizada em Salamanca. O nosso país assinou todas as diretrizes que foram feitas por essa conferência.
No documento elaborado nesse encontro, foi afirmado o compromisso para com a Educação para Todos, a necessidade e a urgência do providenciamento de educação para as crianças, jovens e adultos com necessidades educativas especiais.
De acordo com Salamanca crianças com NEE são:
  • de rua e que trabalham;
  • de origem remota ou de população nômade;
  • pertencentes a minorias linguísticas, étnicas ou culturais;
  • de grupos desavantajados ou marginalizados;
  • deficientes e super-dotados.
Voltando o nosso olhar para o Brasil, o decreto 3298/99 devide os alunos com NEE nas seguintes categorias:
  • deficiência física
  • deficiência auditiva
  • deficiência visual
  • deficiência mental
  • deficiência múltipla.
A Política Nacional de Educação Especial, na Perspectiva da Educação Inclusiva (2007), traz a terminologia: transtornos globais de desenvolvimento (autismo, esquizofrenia, etc).
Todas essas definições não ligadas ao conceito da saúde. A definição/diagnóstico só é importante quando contribui com as questões pedagógicas.
     

MÓDULO III - Vídeo-aula 3: Educação especial e inclusiva: avanços e desafios


          A quem a escola se destina? Dependo do período e do contexto histórico, a escola tem um público diferente:
o   1ª revolução: grupos diferenciados, o ensino é individualizado.
o   2ª revolução: responsabilidade do estado e pública: ainda restrita a certas camadas. Homogeneização de alunos na classe (homens, brancos). Exclusão de muitas camadas sociais.  Um professor para vários alunos.
o   3ª revolução: universalização do acesso à educação. Diversificação de camadas sociais, diversidade de alunos na classe, legitimação do direito à educação.
      
         Hoje vivemos na 3ª revolução, mas ainda há muitas dúvidas sobre a inclusão. 

         Como educar quando a educação implica em novas e não conhecidas bases e, mesmo, em desconhecidos recursos e tecnologias (língua dos sinais, braile, etc)?   Relação de empatia com o outro – quando um aluno com NEE passa a freqüentar uma sala regular, ele passa a ser o outro a tolerar. Será que nós, professores, vamos conseguir trabalhar sobre esse outro sem torná-lo exótico?Como lidar, conviver e ensinar aqueles que a sociedade tradicionalmente considerou como devendo ser excluídos da escola?

           É necessário trabalhar fundamentalmente com relações interpessoais, discutir o respeito, identificação com o outro, ajudar a colocar as crianças no lugar desse outro, para poder ter uma empatia e uma admiração inclusive por quem é diferente. Afetividade e valores positivos vão ajudar a conduzir esse processo.A educação deve ser uma instância privilegiava para se evitar/corrigir práticas intolerantes. E que aumente o respeito e a solidariedade.

       Devemos nós, professores, ter clareza sobre nossas concepções e sentimentos. Quais significados temos sobre o aluno, educação, inclusão, diferença, doença, etc?

Encerro o texto com a seguinte frase:

      “Ensinamos mais pelas nossas ações e exemplos. As ações são as que dão o ser ao pregador.” (José Sérgio Carvalho)

MÓDULO III - Vídeo-aula 2: A ação educativa ao longo da trajetória escolar

   
  Ao longo da vida, o que a escola representa ao aluno?
  • Educação Infantil: a escola é um lugar para brincar. O professor da Ed. Infantil de investir na área afetiva, funcional, cognitiva, linguística e de ajustamento pessoal.
  • Ensino Fundamental (1º e 2° anos): escola como espaço do aprender. O professor deve dar apoio funcional, fortalecer o vínculo com o saber, estimular valores que regem a convivência social. Nessa fase está em jogo o auto-conhecimento, motivação para aprender, adaptação ao ritmo da escola, novos critérios de convívio social.
  • Ensino Fundamental (3º e 4º anos): escola como espaço plural. O professor deve fortalecer a relação aluno-escola pelas dimensões afetiva, metodológica, funcional, cognitiva e social. Está em jogo o auto-conceito acadêmico, aprender a aprender, organização, autonomia, disponibilidade para lidar com as dificuldades.
  • Ensino Fundamental (5º ao 9º anos): a escola entre tatos outros mundos. A escola deixa de ser a única referência; aparecem outras.
  • Ensino Médio: o aluno reconhece a importância da escola, mas ao mesmo tempo tem que lidar com a disponibilidade para investir na aprendizagem.
        No Ensino fundamental II e Ensino Médio, o papel do professor é a escolarização e a preparação para a vida social. Deve-se apoiar, orientar, sensibilizar, conscientizar sobre aspectos de vida e responsabilidade social. Nessa faixa está em jogo a adolescência, e a adolescência tem que lidar com crises, conflitos, projetos de vida, cobranças de desempenho, opção profissional, autonomia, redefinição de identidade e valores.

MÓDULO III - vídeo-aula 1: Papel do professor: instruir ou educar?

Ao instruir, o professor estará passando apenas saberes relacionados a sua disciplina. No ato de educar, o professor estará formando o seu aluno humanamente.
O professor deve encarar os dois papéis, tanto o de instruir, quanto o de educar. Para tanto, os conteúdos escolares devem estar em consonância com a questões sociais, em sintonia com a sociedade. Neste ponto, é importante a elaboração do PPP e vivê-lo no seu dia-a-dia.
Deve-se estar, o professor, em função da aprendizagem, desenvolvimento, personalização, socialização, humanização e da libertação.